Seus dedos em meus lábios,
em meus mamilos,
em meus cabelos,
dentro de mim
Sua voz, que tudo invade,
invoca seus dedos imaginados
perto de mim
Seu corpo, desconhecido e desejado,
comporta seus dedos
longe de mim
Ana Flávia Rocha
Seus dedos em meus lábios,
em meus mamilos,
em meus cabelos,
dentro de mim
Sua voz, que tudo invade,
invoca seus dedos imaginados
perto de mim
Seu corpo, desconhecido e desejado,
comporta seus dedos
longe de mim
Ana Flávia Rocha
Seu nome basta
Seu nome lateja
Seu nome incendeia
Seu nome molha
Seu nome resto
Seu nome sobra
Dobra
Insiste
Em mim
Ana Flávia Rocha
Seu nome
Em todos os lugares
Mensageiro
Do mal que te fiz
Em todos os lugares
Teu nome insiste
Benfazejo
Do bem que te quis
Deito e sonho
Não o conheço
Mas o vejo
Em teu nome
Até caber em mim
Ana Flávia Rocha
Na falta de preparo
Do cheiro
Da cama larga
Largamos o leito
Sem medos
Sem dramas
Uma noite na cama
O peito em coma
Rasga a avenida
Que não tem mais fim
Prepara-te à vida
Que virá junto a mim.
Ana Flávia Rocha
Choros longos de sonhos molhados
Olhos vermelhos de poemas embotados
Na cabeça, um véu de mágoas
Na garganta, um grito trincado
Saias longas e sapatos apertados
Batom vermelho e brincos aperolados
Na camisa, um coração cortado
No sutiã, um bandeie guardado
Mas o amor estancado,
tão tímido e ansioso,
Escorria pelos lábios.
Exaltemos os heróis,
mesmo que pequenos.
Exaltemos, exaltemos —
sua coragem ao extremo,
instinto superior
de gozar a vida sem dor.
Exaltemos, pois,
mesmo aos olhos pequenos,
são grandes seus atos,
grandes suas ações.
Menino — ao te ver, chorei.
Chorei teu choro,
chorei tua coragem,
chorei tua conquista.
Chorei de felicidade
ao te ver tão grande assim.
Ana Flávia Rocha
Era fogo que gritavam.
Gritavam fogo,
cuspiam fogo.
E de suas entranhas, saía fogo.
Não há nada que aquiete
um coração em brasa,
em dois.
Mais do que chama,
ardiam.
Gritavam.
Sorriam.
Se amavam.
Ana Flávia Rocha
Meus excessos.
Minhas bordas.
A falta da palavra,
a dor no corpo,
o mal-estar na alma.
O céu nublado,
a lágrima contida,
a saudade que não acaba.
Meus —
tudo meu.
Medos que não me largam.
Ana Flávia Rocha
O galo
A chuva
O fim da viagem
A exaustão
Os rastros no corpo
Mas sempre tô procurando uma coisa
O aparecimento
da beleza
que surgi
da vida mesma
mesmo que feia
mesmo que insignificante
mesmo que não queira dizer
nada
Nem um retrato
Nem uma parada
Um movimente
Um instante
Que logo que se vê
desaparece
Como uma onça
numa floresta qualquer
Isso é
o que tô procurando
Esse poema foi um presente de alguém que não conheço - na falta de autoria, o poema é meu - presente.
Eu sou tua natureza —
perdida,
sem controle,
suja.
Sou o que dá
e o que tira,
implacável,
injusta,
mas com amor.
Sou o que desconhece e deseja,
fiel aos teus anseios,
estética reversa
de tudo que sonhou.
Com quantas dores
se faz um corpo?
Lugar certo
de arar fantasias
Finca em carne
as poucas e precisas palavras
Suturadas n'alma
As feridas balançam
Ana Flávia Rocha