sábado, 27 de dezembro de 2025

Dedos

Seus dedos em meus lábios,

em meus mamilos,

em meus cabelos,

dentro de mim


Sua voz, que tudo invade,

invoca seus dedos imaginados

perto de mim


Seu corpo, desconhecido e desejado,

comporta seus dedos

longe de mim


Ana Flávia Rocha


sábado, 20 de dezembro de 2025

Sem Nome

Seu nome basta 

Seu nome lateja

Seu nome incendeia 

Seu nome molha 


Seu nome resto 

Seu nome sobra 

Dobra 

Insiste 

Em mim 


Ana Flávia Rocha


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Seu Nome

Seu nome

Em todos os lugares 

Mensageiro 

Do mal que te fiz


Em todos os lugares 

Teu nome insiste 

Benfazejo

Do bem que te quis 


Deito e sonho 

Não o conheço

Mas o vejo

Em teu nome


Até caber em mim


Ana Flávia Rocha

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Prepara-te

Na falta de preparo

Do cheiro

Da cama larga

Largamos o leito

Sem medos 

Sem dramas


Uma noite na cama

O peito em coma

Rasga a avenida

Que não tem mais fim


Prepara-te à vida

Que virá junto a mim.


Ana Flávia Rocha

terça-feira, 4 de novembro de 2025

LÁBIOS

Choros longos de sonhos molhados

Olhos vermelhos de poemas embotados

Na cabeça, um véu de mágoas

Na garganta, um grito trincado

 

Saias longas e sapatos apertados

Batom vermelho e brincos aperolados

Na camisa, um coração cortado

No sutiã, um bandeie guardado

 

Mas o amor estancado,

tão tímido e ansioso,

Escorria pelos lábios.

Exaltemos os heróis

Exaltemos os heróis,
mesmo que pequenos.
Exaltemos, exaltemos —
sua coragem ao extremo,
instinto superior
de gozar a vida sem dor.

Exaltemos, pois,
mesmo aos olhos pequenos,
são grandes seus atos,
grandes suas ações.

Menino — ao te ver, chorei.
Chorei teu choro,
chorei tua coragem,
chorei tua conquista.

Chorei de felicidade
ao te ver tão grande assim.


Ana Flávia Rocha

CHAMA

Era fogo que gritavam.

Gritavam fogo,

cuspiam fogo.

E de suas entranhas, saía fogo.


Não há nada que aquiete

um coração em brasa,

em dois.

Mais do que chama,

ardiam.


Gritavam.

Sorriam.

Se amavam.


Ana Flávia Rocha

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

EXCESSOS

Meus excessos.

Minhas bordas.


A falta da palavra,

a dor no corpo,

o mal-estar na alma.


O céu nublado,

a lágrima contida,

a saudade que não acaba.


Meus —

tudo meu.


Medos que não me largam.


Ana Flávia Rocha

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

...

O galo

A chuva

O fim da viagem

A exaustão

Os rastros no corpo

Mas sempre tô procurando uma coisa

O aparecimento

da beleza

que surgi

da vida mesma

mesmo que feia

mesmo que insignificante

mesmo que não queira dizer

nada

Nem um retrato

Nem uma parada

Um movimente

Um instante

Que logo que se vê

desaparece

Como uma onça

numa floresta qualquer

Isso é

o que tô procurando


Esse poema foi um presente de alguém que não conheço - na falta de autoria, o poema é meu - presente.

MEU MUNDO AINDA É TEU

Eu sou tua natureza —

perdida,

sem controle,

suja.


Sou o que dá

e o que tira,

implacável,

injusta,

mas com amor.


Sou o que desconhece e deseja,

fiel aos teus anseios,

estética reversa

de tudo que sonhou.


Ana Flávia Rocha

No meio do caminho


 Arte: Laura Biato

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Haicai ferido

Com quantas dores

se faz um corpo?


Lugar certo 

de arar fantasias


Finca em carne 

as poucas e precisas palavras


Suturadas n'alma

As feridas balançam


Ana Flávia Rocha