quarta-feira, 18 de abril de 2012

As Rosas

Os olhos do tigre na barriga do dragão.

A boca do leão e os dentes do jacaré.

Corpo de onça, rabo de gato, pêlo de macaco.

Patas de cavalo e assas de pássaro...

Pensamento voa pra longe...

Entra no castelo de portas pequenas e seres rastejantes.

Chega estonteante, pisa nas estrelas e emite um som.

Quebra as vidraças, desmonta as pontes e seca o rio.

Silêncio por um momento...

As rosas no jardim precisam brincar e as águas não podem secar.

Jardineiro que não vem. Rosas do além.

Nuvem de papel... Menino azul com sua pipa multicolorida

Voa bicho estranho, entre no castelo de portas pequeninas.

Rasteje como os seres encantados dos castelos mal assombrados...

E os sonhos são morangos mordidos pela cobra que vive no meio do caminho...

E o jardineiro não vem...

As rosas são loucas e amam o jardim.

As rosas não podem ficar sem água.

No castelo de portas pequenas entra o ser

Defronte à lareira lança pelas janelas sem vidraças o fogo da esperança

De um dia o jardineiro chegar.

Mas as rosas, mesmo assim, ainda são felizes.

Ana Flávia Rocha


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